A Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (Sevop), inaugurou a fábrica de artefatos de concreto no Complexo Prisional de Marabá, em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A cerimônia ocorreu na tarde desta terça-feira, 5, e celebrou a iniciativa que une prestação de serviço e ressocialização de apenados.
A fábrica produzirá blocos de concreto e meio-fio, que serão utilizados pela Sevop em pavimentações pela cidade. Inicialmente, serão cerca de 70 mil blocos de concreto produzidos por mês, tendo como mão de obra 40 pessoas privadas de liberdade, em regime fechado.
O prefeito Toni Cunha participou da cerimônia. Na visão do gestor municipal, a fábrica só tem a contribuir com o processo de ressocialização dos apenados e também com o desenvolvimento de Marabá.
“Além de, principalmente, a gente ofertar trabalho aos apenados, que vão poder remitir a sua pena. A cada três dias trabalhados, um a menos na pena. Nós vamos poder ter uma mão de obra qualificada, que vai produzir bloquetes a um custo, inclusive, menor, possibilitando, no caso de a produção chegar a 70 mil unidades, a pavimentação de 2 km de ruas”, afirmou.
A construção da fábrica foi executada pela Sevop, ficando a Seap responsável pela mão de obra e gestão operacional. Além disso, a Prefeitura de Marabá também disponibilizará os insumos e conduzirá todo o processo de fabricação dos itens de concreto.
A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) disponibilizou os maquinários, como as betoneiras, essenciais para a produção do concreto. Os apenados recebem um salário mínimo, do qual 50% do valor é destinado às suas famílias.
“A partir da qualificação profissional, essas pessoas que aqui estão sendo qualificadas poderão contribuir socialmente, retornar ao convívio social assim que se tornarem egressos, mas também garantir uma possibilidade de melhoria urbana, como é o caso da pavimentação de ruas”, destacou Belchior Machado, diretor de Trabalho e Produção da Seap.
De acordo com Dario Veloso, secretário adjunto de Obras, a expectativa é que até o final da atual gestão cerca de 50 km de ruas, de seis metros de largura, sejam pavimentados com os blocos produzidos na fábrica. Ele avaliou a importância da entrega da fábrica.
“É uma satisfação muito grande. O nosso objetivo principal aqui, além do resgate de todo o pessoal do sistema prisional, que vai ter um incentivo para trabalhar, redução de pena, com recurso financeiro na sua conta, é também nos ajudar a fazer com que várias ruas de nossa cidade possam ser pavimentadas em bloquete”, pontuou.
A articulação para que o projeto saísse do papel foi conduzida pela Vara de Execuções Penais de Marabá. O juiz Caio Berardo, titular da Vara, ressaltou a união institucional em prol da iniciativa.
“Nós sabemos que hoje em dia deve haver essa união, tanto entre os Poderes quanto entre as esferas municipal, estadual e mesmo a esfera federal. Levando para o lado da ressocialização, quem está mais próximo dos cidadãos é o município. Se não houver esse enlace, esse trabalho em conjunto, fica muito mais difícil levar adiante um trabalho exitoso”, observou o magistrado.
Wenderso Oliveira é um dos internos que atua na fábrica e acompanha o local desde o início da obra. Para ele, a iniciativa mostra que o sistema penal é um lugar em que a ressocialização é pensada e colocada em prática.
“No meio de 578 internos, a gente foi um dos privilegiados em receber o benefício de vir trabalhar na obra. Sempre agradecendo ao Estado, à Prefeitura. Para mim, é muito gratificante porque, um dia, eu cometi um crime, deixei de participar da sociedade, e com essa obra, esse projeto, já é um passo para eu me reintegrar no meio da sociedade”, comentou.
Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes e Bill Waishington
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