
Professores e estudantes do curso de Administração da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) viveram, durante dois dias, uma experiência imersiva em Pedro II que uniu conhecimento, cultura e sustentabilidade. A ação extensionista colocou em destaque a riqueza da opala — um dos maiores símbolos da cidade — e mostrou, na prática, como a tradição e o desenvolvimento podem caminhar juntos.
A iniciativa fez parte do programa “Território e Ecoética: Saberes Tradicionais e Sustentabilidade Ambiental”, vinculado ao Edital PREX nº 88/2025, por meio da ação “Educação Ambiental e Valorização Cultural da Mineração Artesanal em Pedro II”. A proposta é aproximar a universidade da realidade da mineração artesanal, proporcionando uma troca direta com quem faz a cadeia produtiva e conectando teoria e prática.

Os participantes acompanharam de perto todo o percurso da opala: da extração nas minas até a transformação em joias. Visitas técnicas permitiram conhecer o trabalho em uma mina em operação e também os bastidores da lapidação e comercialização em uma joalheria local — etapas fundamentais para agregar valor à pedra e fortalecer a economia da região. O roteiro também abriu espaço para reflexões importantes sobre governança minerária, o Arranjo Produtivo Local (APL) da opala e o papel de instituições como o Centro de Tecnologia Mineral (CETAM) no desenvolvimento sustentável do setor.
De acordo com o coordenador da ação, professor Felipe Moura Oliveira, a proposta buscou inserir os estudantes em uma realidade concreta, permitindo uma compreensão ampliada da atividade mineradora. “A ação permitiu aos estudantes aprender, na prática, sobre os aspectos sociais, ambientais, culturais e econômicos que envolvem essa atividade. A proposta se conecta diretamente ao programa ‘Território e Ecoética: Saberes Tradicionais e Sustentabilidade Ambiental’, pois valoriza o território como espaço de aprendizagem, reconhece os saberes tradicionais dos trabalhadores da opala e promove uma reflexão ética sobre o uso dos recursos naturais, o desenvolvimento local e a responsabilidade socioambiental”, destacou.

Outro destaque foi a apresentação e discussão do artigo científico “Mining knowledge from below: Miners’ epistemology and the political ecology of opal mining in Brazil”, publicado na revista The Extractive Industries and Society, aproximando a produção acadêmica da realidade local.
A professora Fernanda Raquel dos Santos Sousa destacou que a extensão universitária amplia o alcance social da universidade ao conectar o conhecimento acadêmico às demandas reais da sociedade. “Iniciativas como essa fortalecem a relação entre universidade, comunidade e território, ao promover uma interação direta entre o conhecimento acadêmico e as realidades locais. Essas ações possibilitam a troca de saberes entre os sujeitos envolvidos, valorizando tanto o conhecimento científico quanto os saberes tradicionais da comunidade. Além disso, contribuem para que a universidade cumpra sua função social, atuando de forma mais próxima das demandas e necessidades do território”, afirmou.

A vivência extensionista também foi marcada pela participação ativa dos estudantes. O aluno Iago Gomes destacou a importância da experiência prática para compreender a dinâmica da cadeia produtiva. “Foi muito bom participar de atividades e vivências práticas, pois a gente sai da teoria e vê na prática como é um processo produtivo, uma cadeia produtiva, e como algumas ações interferem no preço final e como essas ações também podem impactar no cotidiano das pessoas envolvidas nessa cadeia”, relatou.

Ele também chamou a atenção para os impactos econômicos da opala na região. “Pode-se ver, na prática, como uma cadeia produtiva transforma uma região, a exemplo de Pedro II, onde a descoberta da opala redefiniu a economia, impulsionando o turismo e unindo as belezas naturais ao potencial de comercialização da pedra”, afirmou o estudante, destacando ainda que a experiência reforçou a importância dos saberes tradicionais e da sustentabilidade para o desenvolvimento regional. Segundo ele, a extração da opala vai além da economia, integrando a identidade cultural local e incentivando o uso consciente dos recursos naturais.
A ação contou ainda com a participação do professor Alex Sandrelanio dos Santos Pereira, além de estudantes e membros da comunidade local, reforçando o caráter coletivo e interdisciplinar da iniciativa.

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