Licença do Tesouro permite contratação de consultores para plano de reestruturação, impulsiona bônus venezuelanos, mas ainda veta negociações diretas com credores.
O governo dos Estados Unidos autorizou a Venezuela a contratar assessores para possíveis negociações de dívida, um passo-chave no tão aguardado caminho para reestruturar os US$ 60 bilhões em títulos em default do país. Os papéis dispararam após o anúncio.
O Tesouro dos EUA emitiu uma licença permitindo a prestação de serviços jurídicos, financeiros e de consultoria ao governo venezuelano e às suas entidades, incluindo a petroleira estatal Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA).
Os serviços autorizados incluem “a avaliação, elaboração ou preparação de opções e propostas de reestruturação de dívida, bem como materiais de apoio relacionados”.
As novas regras abrem caminho para que credores negociem com a administração venezuelana, liderada pela presidente em exercício Delcy Rodríguez, sobre dívidas que estão em default desde 2017.
Isso representa um avanço significativo para investidores que acumulam aproximadamente US$ 170 bilhões em débitos não pagos, cifra que inclui empréstimos bilaterais e comerciais, sentenças arbitrais e cerca de US$ 100 bilhões em títulos soberanos e juros em atraso.
No entanto, a licença não autoriza “reestruturação, transferência ou liquidação” da dívida, nem negociações diretas entre credores e o governo.
Os bônus venezuelanos dispararam com a notícia: os títulos soberanos com vencimento em 2027 subiram mais de um centavo, para quase 54 centavos por dólar, o maior nível em nove anos, segundo dados indicativos de preços compilados pela Bloomberg.
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