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Pré-candidata do PT ao Senado cobra definição sobre candidatura de Pacheco em MG.
Pré-candidata do PT ao Senado cobra definição sobre candidatura de Pacheco em MG.
05/05/2026 18h24
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo

Pré-candidata do PT ao Senado cobra definição sobre candidatura de Pacheco em MG.

 

Segundo a costura que está sendo feita, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) disputaria o governo estadual com o apoio de Lula.

Pré-candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos manifesta preocupação com a indefinição do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.

Segundo a costura que está sendo feita, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) disputaria o governo estadual com o apoio do petista. No entanto, o senador resiste e tem sinalizado a aliados que não pretende disputar o governo mineiro.

Diante da hesitação do parlamentar, Marília tem cobrado publicamente de Pacheco que seja pré-candidato ao governo estadual.

Em vídeo publicado em suas redes sociais neste domingo, 3, ela pressionou Pacheco por uma resposta e afirmou que a grave situação do Estado exige “que a gente tenha coragem, que a gente faça o que é preciso fazer, que é enfrentar o processo eleitoral e a gente se colocar como uma alternativa mediante um projeto que a gente defende em Minas Gerais e no Brasil”.

Ao Estadão, ela argumenta ainda que essa definição é importante para “coletivizar” a estratégia eleitoral no Estado e construir um palanque forte para o petista.

“Eu acho que o PSB, que é o partido a que o Rodrigo se filiou, tem que dar uma resposta para a gente, que é do PT e que costura uma aliança, sobre esse processo de construção. A gente não acha nome no laço. Você convida, se articula”, argumenta.

Ela lembra que, se o ex-presidente do Senado decidir não disputar, o PT ainda poderia construir um palanque com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que pretende disputar o governo do Estado.

“Não estou dizendo que a gente já precisa ter um candidato para começar a andar amanhã, mas nós temos que ter algumas certezas. A gente não pode ficar com essa indefinição total”, diz.

Para a ex-prefeita de Contagem, era importante já costurar o nome para vice-governador e o dos suplentes. “Isso tudo ajuda nesse processo, porque eu estou fazendo uma campanha solitária, né?”, completa.

Marília afirma ainda que Lula sai em vantagem na disputa eleitoral por “ter o que mostrar” em seu terceiro mandato, como a mudança no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a reforma tributária, os números do mercado de trabalho e a estabilização da inflação.

“Mas eu não acho que isso é o suficiente para ganhar uma eleição”, avalia. “Lula é um candidato que, além de mostrar o que fez, vai ter que ganhar confiança da população para desenvolver a expectativa de futuro.”

Na avaliação da petista, o presidente capitalizou pouco suas ações neste terceiro mandato.

“Ou porque não informou, ou porque os recursos, os investimentos públicos chegaram nos municípios e quem está lá comandando o município falou que foi ele que fez, não deu o crédito”, diz.

Polarização e pós-Lula

Ela defende ainda que o governo evite a polarização em seu discurso, para não correr o risco de dialogar apenas para eleitores que já conquistou.

“Ao despolarizar, você ganha públicos que estão indefinidos. Ou até mesmo que estão do lado de lá e passam para o lado de cá. E para a gente ser capaz disso, nós temos que disputar a expectativa de futuro”, diz.

Marília acrescenta que não polarizar não significar manter uma postura neutra nas eleições, mas sim conseguir reconhecer que nem todos os desafios o governo conseguiu superar neste mandato.

A pré-candidata ao Senado também propõe que, em um quarto mandato, haja uma revisão das políticas de amparo, contemplando custo-benefício, para qualificar o gasto público.

“Acho que essa que deverá ser a linha do presidente Lula, um modelo de desenvolvimento que seja inclusivo, que o Estado brasileiro comporte e que a gente comece a migrar das políticas compensatórias para uma política onde as pessoas se sustentem através do emprego e da renda. Esse vai ser um grande desafio”, diz.

Sobre um pós-Lula, Marília afirma que o PT tem quadros que poderiam ocupar o espaço do presidente, como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. “Mas a gente não pode negar que lideranças de outros partidos de centro também estão crescendo. E eu acho que a gente vai ter que abrir esse debate.”

Para ela, é preciso ponderar fatores como continuidade de projetos democráticos e compromisso com a população. “Pode ser do PT, mas eu também abro possibilidades de que outras pessoas de partidos de centro possam também estar ocupando esse lugar”, afirma.

Ela cita como nomes, além dela própria, o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB), o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) e Manuela d’Ávila (PSOL), que deve disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul.

“O que eu defendo é que o PT tem que mostrar abertura e diálogo com os aliados. E para a gente mostrar abertura, a gente não pode impor realidade. A gente tem que conversar com eles. Quem é mais forte? É alguém do PT? Até hoje foi o Lula porque ele é o mais forte”, diz. “Pós-Lula, quem será o mais forte? Então, nós devemos trabalhar isso. Quem for o mais forte vai ser um candidatíssimo a dar continuidade ao projeto.”

Marília também diz que líder igual ao petista só daqui a 100 anos. “Não tem, não tem. Com a capacidade que ele tem, com a autoridade que ele tem no Brasil e no mundo. Mas nós vamos ter que ajudar”, completa.