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Chamados para soltar pipa: O que se sabe sobre o estupro coletivo cometido contra duas crianças de 7 e 10 anos
Chamados para soltar pipa: O que se sabe sobre o estupro coletivo cometido contra duas crianças de 7 e 10 anos
04/05/2026 08h44
Por: Redação Fonte: Agência Bnews

Chamados para soltar pipa: O que se sabe sobre o estupro coletivo cometido contra duas crianças de 7 e 10 anos.

 

A investigação sobre o estupro coletivo de dois meninos, de 7 e 10 anos, na região de São Miguel Paulista, dentro da comunidade de União de Vila Nova, na zona leste de São Paulo, avança com cinco envolvidos já identificados — quatro adolescentes e um adulto. Parte deles já está apreendida ou presa. Um ainda é procurado. O crime cometido contra os dois irmãos, que veio à tona dias depois, expôs não só a violência, mas também uma rede de silêncio, medo e pressão sobre a família das vítimas.

Como as crianças foram levadas

Não houve abordagem violenta no início. Foi convite. Os suspeitos eram vizinhos, conviviam com os meninos e se aproveitaram dessa proximidade. Chamaram as crianças para empinar pipa algo comum.

“Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’”, disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk ao G1.

O grupo levou os meninos até um imóvel na região de São Miguel Paulista, onde o abuso aconteceu, no dia 21 de abril.

Vídeos gravados e espalhados

Os próprios agressores registraram tudo em vídeo. Segundo a polícia, o homem de 21 anos preso na Bahia teria iniciado as gravações com o celular e depois compartilhado o material por WhatsApp. A partir daí, as imagens se espalharam.

Em um dos vídeos, de pouco mais de um minuto, as crianças aparecem choram, gritam e pedem para parar, repetidas vezes, enquanto os agressores riem, insistem no ato e agridem as vítimas. Agora, os investigadores tentam mapear quem ajudou a disseminar esse conteúdo.

O crime só chegou à polícia dias depois

Apesar da circulação dos vídeos, o caso não foi denunciado de imediato. A família estava sob pressão. A situação só mudou no dia 24 de abril, três dias após o crime, quando a irmã de uma das vítimas viu as imagens nas redes sociais, reconheceu o menino e procurou a delegacia.

Até então, nem local nem detalhes tinham sido informados às autoridades.

Pressão e fuga da comunidade

O ambiente ao redor das vítimas dificultou ainda mais a apuração. Familiares relataram que foram pressionados a não registrar ocorrência. Houve ameaças. O clima ficou insustentável.

“A família saiu com medo da comunidade. Teve gente que saiu com a roupa do corpo”, relatou a delegada. As vítimas precisaram ser localizadas pela polícia. Depois disso, passaram por exames e começaram a receber acompanhamento.

Quem são os suspeitos

Ao todo, cinco pessoas foram identificadas: quatro adolescentes e um homem, de 21 anos. Três menores já foram apreendidos. Um segue foragido. O adulto foi localizado no interior da Bahia e preso temporariamente.

“Temos equipes negociando com a família para esse quarto envolvido se entregar”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.

Todos devem responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagem de menor e corrupção de menores.

Prisão na Bahia

O único adulto envolvido no crime, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos (foto em destaque) fugiu para o interior da Bahia. Ele foi encontrado no distrito de Serrana, em Brejões, e preso pela Guarda Civil Municipal na última sexta-feira (1º). Havia contra ele um mandado de prisão temporária. A Polícia Civil agora trabalha para levá-lo de volta a São Paulo.

O que ainda falta esclarecer

Com os suspeitos identificados, a investigação entra em outra fase. A polícia quer entender:

  • Quem ajudou a espalhar os vídeos
  • O alcance dessa divulgação
  • O teor das ameaças feitas à família
  • O papel exato de cada envolvido

“No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens”, disse o delegado Júlio Geraldo.

Crianças sob proteção

As vítimas e os familiares foram retirados do local onde viviam. Segundo a Prefeitura de São Paulo, todos estão sob proteção, em endereços mantidos em sigilo. Há acompanhamento psicológico e assistência social.

Parte das crianças está em serviços institucionais, após avaliação do Conselho Tutelar sobre o ambiente familiar.

“Cena terrível”, diz secretário

O impacto do caso atingiu até investigadores experientes. “Em 45 anos de polícia, não consegui ver o vídeo até o fim, cena terrível, inesquecível”, afirmou o secretário de Segurança Pública.