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Paraná é o estado com o maior número de escolas com bibliotecas; rede estadual tem obras raras
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), a mais recente do IBGE, mostram que 98,9% dos estudantes do Estado estão em instituiç...
30/04/2026 10h48
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

O Paraná é o estado com o maior número de escolas com bibliotecas. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), a mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 98,9% dos estudantes do Estado estão em instituições públicas e privadas com esse recurso disponível, o maior índice entre as unidades da Federação.

Enquanto o Brasil ainda registra desigualdade no acesso à acervos de livros, com média de 78,4% dos estudantes atendidos, o Paraná se destaca com cobertura praticamente universal. A Região Sul permaneceu no topo do ranking com os melhores indicadores, mantendo percentuais elevados tanto na rede pública (89,5%) quanto na privada (97,9%) de alunos em escolas com bibliotecas.

Na rede estadual de ensino, esse cenário se traduz em acervos diversificados, incentivo permanente à leitura e diferentes formas de acesso ao conhecimento, tanto em bibliotecas físicas quanto digitais.

“O Paraná tem investido de forma consistente no fortalecimento das bibliotecas escolares como espaços de aprendizagem e formação. Esses ambientes são fundamentais para estimular o hábito da leitura e ampliar o repertório dos nossos estudantes. Recentemente, foram adquiridos novos exemplares para fortalecer as bibliotecas de 550 instituições que ofertam Educação em Tempo Integral, com investimento de aproximadamente R$ 7,7 milhões”, afirma Roni Miranda, secretário de Estado da Educação.

A existência de biblioteca é requisito obrigatório para o funcionamento das escolas. Por isso, além da estrutura, a rede desenvolve ações que aproximam a literatura da realidade dos estudantes, com atividades pedagógicas que incentivam o hábito da leitura e o protagonismo juvenil.

De acordo com Anderfábio Oliveira dos Santos, diretor da Diretoria de Educação (Deduc), as iniciativas buscam conectar os conteúdos ao cotidiano dos alunos e ampliar o acesso à leitura em toda a rede. “Trabalhamos a leitura de forma orientada e articulada às vivências dos estudantes, com debates, análise de diferentes gêneros e projetos que estimulam a produção e a interpretação. Hoje, os 32 Núcleos Regionais de Educação contam com bibliotecas físicas e também com acesso a recursos digitais, ampliando as possibilidades de uso”, explica.

Segundo Anderfabio, a rede também avança na modernização da gestão desses espaços. “Estamos implantando o Programa BiblioClick, com uso do sistema Pergamum, para padronizar acervos, integrar a gestão e qualificar o uso pedagógico das bibliotecas em toda a rede até 2026”, completa.

CURIOSIDADES– A partir de informações reunidas junto a Núcleos Regionais de Educação, é possível identificar acervos de diferentes portes, que refletem a realidade das unidades em cada um dos 399 municípios paranaenses. Há bibliotecas menores, com menos de mil exemplares, outras com cerca de 5 mil e também acervos que chegam a 15 mil, 20 mil, 25 mil livros.

O Colégio Estadual Professor Júlio Moreira, em Pinhão, por exemplo, reúne cerca de 9 mil livros. Se empilhados, os exemplares chegariam a aproximadamente 135 metros de altura: o equivalente a um prédio de cerca de 45 andares. No Centro Estadual de Educação Profissional Manoel Moreira Pena, em Foz do Iguaçu, o acervo ultrapassa 20 mil exemplares. Nessa mesma lógica, os livros alcançariam cerca de 300 metros de altura, o equivalente a um prédio de aproximadamente 100 andares.

Já no Colégio Estadual do Paraná, o maior da rede pública estadual de ensino, o acervo soma mais de 45 mil exemplares. Se colocados lado a lado, os 45 mil livros do acervo ocupariam entre 6,3 e 7,2 quilômetros de extensão - o suficiente para atravessar cerca de cinco vezes a Ponte de Guaratuba.

Mas, para além das comparações numéricas, os acervos guardam verdadeiros registros históricos da literatura. Em Curitiba, no Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, há um exemplar de Negrinha, de Monteiro Lobato, datado de 1920. Já no Colégio Estadual Dom Orione, está a obra O Crime do Silêncio, de Orison Swett Marden, em edição de 1925. O Romance de Simone, da escritora francesa Mathilde Aigueperse, fica no Colégio Estadual Professora Carmen Costa Adriano, em Paranaguá, data de 1929.

As bibliotecas também reúnem títulos em diferentes idiomas e formatos. Há livros em árabe, ucraniano e japonês, além de obras em braile, como Branca de Neve e Rosa Vermelha e outras histórias, disponível no Colégio Estadual Narciso Mendes, na capital. No Colégio Arcângelo Nandi, em Santa Terezinha de Itaipu, o acervo inclui um dicionário de guarani.

Entre itens curiosos, o Colégio Estadual Cívico-Militar Sebastião Paraná, em Palmas, possui uma Bíblia editada em 1967 com uma anotação em latim que funciona como um selo de autorização da Igreja Católica. Termos como “Nihil obstat” (nada impede) e “Imprimatur” (imprima-se) indicam que o conteúdo foi analisado e autorizado para publicação.

Foto: Reprodução/Secom Paraná
Foto: Silvio Turra/Seed


LEIA PARANÁ– O Programa Leia Paraná é uma plataforma digital que disponibiliza gratuitamente aos estudantes e professores um acervo amplo e diversificado de livros, incluindo obras literárias, clássicos, títulos contemporâneos e conteúdos de interesse juvenil. O acesso é individual e pode ser feito a qualquer momento, dentro ou fora da escola, por diferentes dispositivos, ampliando as oportunidades de leitura.

Mais do que ofertar conteúdo, a ferramenta integra a estratégia pedagógica da rede. “O recurso permite que a leitura seja trabalhada de forma orientada em sala de aula, ao mesmo tempo em que estimula a autonomia dos estudantes, que passam a construir uma relação mais contínua com os livros”, reforça o diretor da Deduc.

Somente neste ano de 2026, já foram registrados cerca de 650 mil acessos e aproximadamente 300 mil livros lidos, evidenciando o alcance da iniciativa e o interesse dos estudantes pelas práticas de leitura no ambiente digital.

TRINTA ANOS– Com três décadas de atuação na biblioteca do Colégio Estadual Rio Branco, em Santo Antônio da Platina, a bibliotecária Cleusa Pereira Nogueira acompanhou de perto as transformações no comportamento dos estudantes em relação à leitura.

“Os hábitos de leitura acompanharam as mudanças ao longo do tempo. Hoje, os estudantes buscam conteúdos mais conectados ao seu universo, com maior interesse por temas como terror e fantasia, e encontram diferentes formas de acesso à informação. Nesse contexto, a biblioteca segue como um espaço de descoberta, que se adapta e continua oferecendo oportunidades para que os alunos ampliem seu repertório por meio da leitura”, relata.

Para a bibliotecária, o papel da leitura permanece essencial na formação dos estudantes. “Mais do que nunca, é importante aproximar os alunos dos livros e mostrar que a leitura pode dialogar com a realidade deles. A biblioteca continua sendo um espaço de possibilidades — um convite permanente para explorar novos conhecimentos e histórias.”

MAIS PROCURADOS–De acordo com o sistema de empréstimos, entre os títulos mais procurados estão obras como "Diário de um Banana", "O Pequeno Príncipe" e "O Diário de Anne Frank", que seguem entre os preferidos nas bibliotecas escolares. Já na plataforma Leia Paraná, os três títulos mais consumidos são: "O Mágico de Oz", com 167.367; "A Ilha do Tesouro", com 129.628; e "Turma da Mônica: Laços", com 118.657.