Com o objetivo de ampliar a assistência para além da estrutura física da unidade e fortalecer o cuidado integral, o Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Aquino (CER IV), gerenciado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou, nesta quarta-feira, 29, o I Simpósio sobre neurodiversidade, com foco no acolhimento e orientação às famílias. A iniciativa reforça o papel estratégico do CER IV na oferta de atendimento multiprofissional, reunindo diversas especialidades da reabilitação, física, auditiva, visual e intelectual , além da assistência a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo um cuidado mais integrado, humanizado e contínuo.
“A ideia do evento surgiu a partir da necessidade que observamos nas famílias de dar continuidade às terapias em casa e de ter mais acesso à informação sobre os atendimentos. Então reunimos profissionais da própria equipe do CER IV e também convidados, para sanar dúvidas, orientar e fortalecer esse vínculo com as famílias. É um evento pensado com muito carinho para acolher, orientar e promover um espaço de aprendizado, escuta e troca de experiências sobre a neurodiversidade”, destacou a gestora operacional da reabilitação intelectual TEA do CER IV, Danniella Gouveia
Ao longo do dia, são abordados temas importantes, como transtorno do espectro autista, deficiência intelectual, o papel da psiquiatria nesses casos, o uso de telas digitais, além de uma roda de conversa com a equipe sobre como as terapias funcionam e como a família pode contribuir no dia a dia. Além de discussões sobre o cuidado com quem cuida, com foco nas mães, e orientações jurídicas sobre os direitos das pessoas com deficiência.
Uma das palestrantes, a fonoaudióloga do CER IV, Maria Juliana Silva, abordou sobre as principais demandas fonoaudiológicas no transtorno do espectro autista. “A gente sabe que crianças com TEA podem apresentar dificuldades na comunicação, na fala, na linguagem, além de alterações na mastigação e na deglutição. E discutir esse tema com as famílias é fundamental, porque a comunicação é uma das áreas mais afetadas no autismo. Muitas vezes, os pais não sabem como lidar com essas dificuldades no dia a dia. A ideia é promover uma comunicação mais funcional, mais expressiva, que permita que a criança consiga, de fato, se comunicar e se fazer entender”, ressaltou a fonoaudióloga.
Quem vive isso na prática é a mãe dos gêmeos Danilo e Daniel, Luciene Santos Silva. “O atendimento é muito bom, não tenho do que reclamar. Ele já passou por vários profissionais, como pediatra, neurologista, fisioterapeuta e também tem acompanhamento psicológico. É um cuidado completo, que faz toda a diferença. Dentro de casa, a gente já percebe melhora, principalmente na fala e no comportamento. Antes ele era mais agitado, e hoje já está bem mais tranquilo. Sobre esse simpósio, eu acho uma iniciativa muito importante. Tudo que a gente aprende aqui ajuda a cuidar melhor deles em casa também. É uma luta diária, mas com orientação e apoio, a gente consegue avançar”, disse Luciene.