
No mês em que se celebra o Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído, o curso de Fonoaudiologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) apresenta os resultados de um relevante Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) focado nos impactos do uso recreativo de fones de ouvido. Desenvolvido pelo acadêmico Levi Alfeu Almeida Lobato Brito, sob orientação da professora Dra. Liliane Dias e Dias de Macedo, a pesquisa "Impactos Auditivos Associados ao Uso Recreativo de Fones de Ouvido: Uma Revisão Integrativa" revela dados alarmantes sobre a vulnerabilidade do público jovem e reforça o papel da instituição na promoção da saúde preventiva e no fortalecimento da ciência na região Norte.
O estudo consistiu em uma revisão integrativa em bases de dados nacionais e internacionais (CAPES, LILACS e PUBMED) entre 2021 e 2025. A pesquisa identificou que o uso prolongado e em volumes elevados pode desencadear a Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair), zumbidos, hipersensibilidade e até sintomas sistêmicos, como taquicardia, irritabilidade e distúrbios do sono. Segundo os dados revisados, 83,4% dos jovens adultos apresentaram perda auditiva subclínica - aquela detectada por exames antes mesmo dos sintomas se tornarem evidentes.
“Escolhi o tema diante do crescente número de pessoas que têm perdido a audição devido ao uso recreativo de fones de ouvido. A proposta é conscientizar a população sobre a forma correta de utilização e os impactos do uso inadequado”, afirma o agora fonoaudiólogo Levi Brito. Sobre os modelos disponíveis, ele esclarece: “O fone ideal sempre será o headset (que cobre toda a orelha). Os demais, como o de inserção ou os sem fio, também podem ser usados desde que utilizados no volume adequado”.
Prevenção
O grupo de maior risco são jovens entre 12 e 25 anos. A pesquisa aponta que 78% desse público utiliza dispositivos de áudio por mais de uma hora diária, frequentemente ultrapassando os 85 decibéis - nível crítico para a saúde auditiva.
Para prevenir danos irreversíveis, a orientação é limitar o volume a 60% da capacidade do aparelho e realizar pausas a cada 60 minutos de uso.
Marco institucional
A relevância da pesquisa reforça a trajetória do curso de Fonoaudiologia da Uepa em Belém, que graduou sua turma pioneira em janeiro de 2026. Com uma estrutura que inclui laboratórios de audiologia clínica e estágios supervisionados, o curso prepara profissionais para atuar diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Para a coordenadora do curso, Luzianne Fernandes Oliveira, a formação desses novos profissionais é um marco para a região Norte. “É a concretização de um sonho coletivo, construído com dedicação e compromisso com a educação de qualidade. Cada formando carrega a responsabilidade de transformar vidas por meio da comunicação. É o início de uma trajetória que ecoará cuidado, ciência e impacto social”, ressalta a coordenadora.
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