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Musk e Bezos disputam corrida para voltar à Lua e liderar data centers espaciais
Musk e Bezos disputam corrida para voltar à Lua e liderar data centers espaciais
28/04/2026 06h54
Por: Redação Fonte: Fortune

Musk e Bezos disputam corrida para voltar à Lua e liderar data centers espaciais.

 

Está em jogo superar a China, abrir caminho para bases permanentes no polo sul lunar e construir infraestrutura para IA.

Elon Musk e Jeff Bezos, dois dos três homens mais ricos do mundo, estão envolvidos em um confronto estratosférico para dominar o espaço — e o resultado pode decidir o futuro das viagens à Lua e até da infraestrutura de IA.

À luz do sucesso da missão Artemis II, que levou astronautas a sobrevoarem a Lua pela primeira vez em 50 anos, tanto a SpaceX, de Musk, quanto a Blue Origin, de Bezos, redirecionaram sua atenção de outros projetos para se preparar para futuras missões lunares.

Ambas as empresas receberam contratos de bilhões de dólares da Nasa há anos para desenvolver módulos de pouso lunar para duas futuras missões Artemis, que planejam levar humanos à Lua até o fim da década pela primeira vez desde 1972.

SpaceX de Elon Musk x Blue Origin de Jeff Bezos

A SpaceX está desenvolvendo seu Sistema de Pouso Humano, um módulo ambicioso que, com 50 metros de altura (cerca de 15 andares), é maior do que qualquer outro já construído e utilizará um elevador para transportar astronautas e carga até a superfície lunar a partir da cabine da tripulação, localizada próxima ao topo do módulo.

Enquanto isso, a Blue Origin está desenvolvendo seu módulo Blue Moon. Embora tenha aparência mais tradicional, ele também é tecnologicamente avançado.

Segundo o Space.com, ele deverá ser equipado com sensores capazes de mapear a superfície da Lua para evitar perigos e identificar a área mais plana para o pouso.

Os módulos de ambas as empresas são projetados para serem reutilizáveis, o que deve reduzir o custo de futuras missões lunares.

As apostas para SpaceX e Blue Origin são altas. O módulo de pouso lunar que ficar pronto primeiro e for testado com sucesso poderá ajudar os Estados Unidos a superar a China, ao levar astronautas à Lua antes do plano da segunda maior economia do mundo, previsto para 2030.

O primeiro teste será a missão Artemis III, programada para meados de 2027, que poderá testar os módulos de pouso tanto da SpaceX quanto da Blue Origin — se estiverem prontos a tempo.

Como parte da missão, astronautas serão lançados em órbita baixa da Terra a bordo de um foguete que transportará a cápsula Orion da Nasa, semelhante à usada na missão Artemis II.

Se tudo ocorrer conforme o planejado, SpaceX e Blue Origin lançarão separadamente seus módulos ao espaço para testar a capacidade de acoplamento com a nave Orion. Este será o primeiro teste de um processo essencial para os pousos lunares do programa Artemis em 2028.

Durante essas missões, a cápsula Orion e o módulo lunar serão lançados separadamente e se acoplarão em órbita lunar antes da descida dos astronautas à superfície.

Essa primeira competição também aproximará a Nasa do objetivo de estabelecer uma presença permanente no corpo celeste.

No mês passado, a Nasa anunciou um plano em fases para construir uma base lunar permanente e delineou uma estratégia de pousos tripulados a cada seis meses, com o objetivo de desenvolver a infraestrutura para uma base no satélite natural após os primeiros pousos em 2028.

Esses esforços fazem parte de uma iniciativa da Nasa para estabelecer presença humana no polo sul lunar, o que “fortalecerá a liderança americana no espaço, impulsionará descobertas científicas e servirá como campo de testes para missões tripuladas a Marte”, segundo uma apresentação da agência.

Embora a SpaceX, de Musk, tenha sido fundada em 2002, dois anos após a Blue Origin, a empresa está, em muitos aspectos, anos-luz à frente dos concorrentes. Foi a primeira a desenvolver um foguete reutilizável comprovado comercialmente, o Falcon 9, que desde sua primeira missão bem-sucedida, em 2010, se tornou uma referência para o setor.

A SpaceX utilizou o Falcon 9 em 165 lançamentos no ano passado, quebrando seu recorde anterior e representando 85% de todos os lançamentos orbitais dos Estados Unidos, segundo o Space.com.

A empresa também usou o Falcon 9 para formar a maior constelação de satélites já criada, com 10 mil satélites em órbita que alimentam seu serviço de internet Starlink.

Apesar dessas conquistas, Bezos aposta que a Blue Origin vencerá avançando de forma lenta e constante.

A empresa realizou seu primeiro lançamento orbital com o foguete New Glenn em 2025 e alcançou a órbita com sucesso, embora o propulsor não tenha sido recuperado para reutilização como planejado.

Em novembro, a empresa conseguiu pousar o propulsor de volta na Terra após ajudar a lançar duas sondas para Marte como parte da missão Escapade (Exploradores de Escape e Dinâmica de Aceleração de Plasma), da Nasa.

Infraestrutura de IA no espaço

À medida que a IA continua a avançar na Terra, tanto a Blue Origin quanto a SpaceX estão explorando a ideia de levar para o espaço a infraestrutura que a sustenta.

Embora a proposta ainda esteja em estágio inicial, com conjuntos solares mais potentes no futuro, data centers espaciais teriam a vantagem de usar energia solar mais limpa, segundo Jeff Thornburg, veterano da SpaceX e CEO da Portal Space Systems, em entrevista anterior à Fortune.

Muito acima da Terra, esses futuros data centers flutuantes também estariam livres das regulamentações e dos diversos protestos enfrentados por empresas ao construir essa infraestrutura no planeta.

Ainda assim, não está claro se é viável instalar data centers de IA no espaço. Os desafios técnicos e financeiros são enormes, especialmente porque lançar equipamentos em órbita é muito mais caro do que construir infraestrutura de IA na Terra.

Mesmo assim, tanto a SpaceX quanto a Blue Origin já estão se movimentando para se preparar, caso isso se torne realidade.

A SpaceX já apresentou planos à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) para lançar até 1 milhão de satélites com capacidade de computação de IA. Já a Blue Origin solicitou à FCC, no mês passado, autorização para lançar quase 52 mil satélites capazes de realizar computação de IA.

“Centros de dados orbitais são a forma mais eficiente de atender à crescente demanda por poder computacional de IA”, escreveu a SpaceX em seu pedido.

Como Bezos previu em uma conferência de tecnologia em Turim, na Itália, no ano passado, nas próximas décadas a próxima fronteira da IA pode estar fora do planeta.

“O espaço acabará sendo um dos lugares que continuam tornando a Terra melhor. Isso já aconteceu com satélites meteorológicos. Já aconteceu com satélites de comunicação”, disse. “O próximo passo serão data centers e outros tipos de manufatura.”

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