No coração do Centro-Oeste brasileiro, em meio à Serra da Bodoquena, Bonito recebeu o reconhecimento internacional que poucos destinos do interior do país acumulam: foi escolhida pela National Geographic como o melhor destino do mundo para o verão de 2017. Os rios do calcário que filtram a água, as cavernas inundadas e o sistema de turismo controlado por vouchers explicam por que a cidade ficou no topo da lista de uma revista americana centenária.
O reconhecimento veio na lista Best Summer Trips 2017, publicada em maio daquele ano. Bonito apareceu no topo do ranking de 10 destinos da publicação americana, ao lado de nomes como Galápagos, Ruanda e Cocos Island, na Costa Rica.
O texto da revista destacou três pontos centrais para justificar a posição. Bonito é referência em ecoturismo, com cachoeiras, cavernas e um mundo subaquático que rivaliza com mares tropicais. A cidade foi eleita o melhor destino para turismo responsável em 2013, antes da indicação de 2017. E o sistema de vouchers com preço controlado, criado para distribuir visitantes ao longo do ano e priorizar a sustentabilidade, virou modelo internacional.
Em texto anterior, o editor-at-large da National Geographic Costas Christ chamou Bonito de estudo de caso do poder do turismo de proteger a natureza, citando duas décadas de trabalho conjunto entre conselhos municipais de turismo e meio ambiente.
A resposta está no calcário. A região está sobre o Planalto da Bodoquena, formado por rochas calcárias do Grupo Corumbá, segundo descrição técnica da Prefeitura Municipal de Bonito. Quando os rios nascem ou atravessam essa camada, o calcário funciona como filtro natural, prendendo partículas em suspensão e deixando a coluna d’água com visibilidade que chega a 30 metros no Rio Sucuri e a 60 metros no lago do Abismo Anhumas, conforme dados dos atrativos.
O fenômeno é o mesmo que dá o tom azul à Gruta do Lago Azul, descoberta em 1924 por um indígena terena e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1978. A caverna é uma das maiores cavidades inundadas do planeta. Em 1992, uma expedição franco-brasileira de espeleomergulhadores encontrou no fundo do lago fósseis de mamíferos do Pleistoceno, incluindo um tigre-dente-de-sabre e uma preguiça gigante de mais de três metros de altura.
O Abismo Anhumas é a experiência que sintetiza Bonito. A 23 km do centro pela MS-382, a entrada da caverna é uma fenda no chão da mata. A descida acontece por rapel elétrico de 72 metros, equivalente a um prédio de 26 andares.
Lá embaixo, um lago subterrâneo de 80 metros de profundidade abriga formações chamadas de Floresta de Cones, estalagmites calcárias com até 20 metros de altura formadas ao longo de milênios. A temperatura na caverna fica em torno de 17°C o ano inteiro. Mergulhadores certificados podem descer até 18 metros para observar os cones; quem não tem certificação fica nos 8 metros iniciais ou opta pela flutuação na superfície, conforme o atrativo.
O passeio pertence ao mesmo conjunto cárstico do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em 2000 e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que abrange 33% do território do município.
O cardápio de atrações é vasto e dividido entre flutuações, grutas, cachoeiras e observação de fauna. As mais procuradas:
Quem sonha em mergulhar em águas cristalinas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 60 mil visualizações, onde o casal mostra um guia completo com os 20 melhores passeios e preços em Bonito:
O clima tropical entrega duas estações bem definidas: úmida no verão e seca no inverno. Veja o que cada época oferece:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O Aeroporto de Bonito (BYO) fica a cerca de 15 km do centro e recebe voos comerciais com frequência limitada. A maioria dos visitantes chega pelo Aeroporto Internacional de Campo Grande (CGR), a aproximadamente 300 km, e segue por estrada cerca de 3h30 pela BR-060 e BR-262 via Sidrolândia, Nioaque e Jardim. De carro alugado ou transfer, o percurso é o mais comum entre quem vem de São Paulo ou do Rio de Janeiro.
O Centro-Oeste brasileiro guarda em Bonito um conjunto raro: rios filtrados por calcário, cavernas com fósseis pleistocênicos, um sistema de turismo que serve de modelo internacional e o reconhecimento de uma das publicações mais respeitadas do planeta. É a confirmação de que o melhor destino mundial de um verão pode estar a três horas de carro do interior do Mato Grosso do Sul.
Você precisa conhecer Bonito e entender por que a National Geographic colocou um pedaço do Brasil acima de Galápagos e Ruanda na lista do verão.