Novo acordo encerra direito exclusivo sobre a tecnologia da criadora do ChatGPT, garante participação em receitas até 2030 e abre espaço para OpenAI fechar parcerias com outros provedores de nuvem.
Microsoft e OpenAI concordaram em encerrar o direito exclusivo da gigante de software de vender os modelos de IA da startup, abrindo caminho para que a criadora do ChatGPT firme acordos com rivais de computação em nuvem como a Amazon.
Em troca do fim dessa exclusividade — que ajudou a impulsionar as vendas de nuvem da Microsoft nos primeiros anos do boom da IA — a maior fabricante de software do mundo deixará de pagar participação na receita dos produtos da OpenAI que revende em sua nuvem. As duas empresas anunciaram o novo acordo em um comunicado conjunto nesta segunda-feira.
O novo pacto busca simplificar uma relação complexa que foi fundamental para a ascensão da OpenAI e para o boom mais amplo da inteligência artificial. Desde então, a OpenAI vem buscando acordos com múltiplos provedores de nuvem, incluindo a Amazon, para atender às suas crescentes necessidades de computação e entregar softwares de IA a um público mais amplo.
“A maior previsibilidade no acordo emendado fortalece nossa capacidade conjunta de construir e operar plataformas de IA em escala, ao mesmo tempo em que dá a ambas as empresas flexibilidade para aproveitar novas oportunidades”, disseram OpenAI e Microsoft no comunicado.
O acerto desta segunda-feira abre caminho para que os modelos da OpenAI apareçam na Amazon Web Services e em outros provedores de computação em nuvem.
Como parte de um investimento anunciado no início deste ano, a unidade da Amazon afirmou que estava desenvolvendo em conjunto produtos com a OpenAI, que seriam hospedados na AWS. A Microsoft chegou a avaliar medidas legais, sob o argumento de que esse esforço quase certamente violaria seus direitos exclusivos sobre a propriedade intelectual da OpenAI, informou o Financial Times no mês passado.
A Microsoft continua sendo a “principal provedora de nuvem” da OpenAI, e novos produtos da startup serão disponibilizados primeiro no Azure, a unidade de nuvem da Microsoft.
A participação na receita paga pela OpenAI sobre as vendas dos produtos que ela comercializa diretamente terá um teto, segundo as empresas. Mas, até que esse limite seja alcançado — que não foi divulgado —, o novo acordo traz mais previsibilidade de que a OpenAI continuará fazendo esses pagamentos.
A Microsoft receberá participação na receita da OpenAI até 2030, independentemente do progresso da startup em direção a seu objetivo de construir uma inteligência artificial geral — um sistema capaz de igualar a capacidade humana em diversas tarefas. Pelo acordo anterior, os pagamentos de revenue share deixariam de ser devidos caso a OpenAI atingisse esse marco.
Como parte da reestruturação da OpenAI no ano passado, quando passou a operar como uma empresa com fins lucrativos, a Microsoft recebeu uma participação de 27% na startup de IA. A gigante de software foi um dos principais entraves na reconfiguração societária da OpenAI, enquanto as duas negociavam os termos complexos da parceria.
A relação da Microsoft com a OpenAI deve ficar em evidência nesta semana, quando as empresas enfrentarão Elon Musk na Justiça. O bilionário acusa a OpenAI de abandonar seus princípios fundadores ao se transformar em uma companhia com fins lucrativos apoiada por bilhões de dólares da Microsoft. Ele pede até US$ 134 bilhões em indenizações da OpenAI e da Microsoft.
As ações da Microsoft caíam cerca de 1% na abertura dos mercados em Nova York nesta segunda-feira. As da Amazon recuavam menos de 1%.
“Não acreditamos que este acordo revisado deva ser uma grande surpresa para os investidores neste momento”, escreveram analistas da Evercore ISI em relatório a clientes nesta segunda-feira. “A Microsoft tem sinalizado cada vez mais interesse em uma estratégia mais ampla de múltiplos modelos, enquanto a OpenAI tem incentivos claros para ampliar sua distribuição pelo mercado.”
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