“Hoje é o dia do corno, foi bom te encontrar | Vamos tomar um bom porre pra comemorar | A mulher que você ama, eu amo, também | E pelo que eu sei, ela já namorou mais de cem”: É assim que começa uma das músicas do lendário Reginaldo Rossi, o Rei do Brega. O nome da canção é “O dia do Corno”, comemorado neste sábado (25).
Nessa data marcante para boa parcela dos brasileiros, o BNews conversou com um soteropolitano que, ao contrário de muitos, resolveu assumir - e se orgulhar - de ser corno.
O que antes era motivo apenas de piadas e memes, se tornou um fetiche que ganha espaço e já pode ser chamado de estilo de vida: o cuckold. A prática envolve o prazer de ver ou imaginar a parceira se relacionando com outra pessoa e tem dominado apps de relacionamento e plataformas adultas. Diferente da infidelidade, que rompe acordos e normalmente gera sofrimento, o cuckold é estruturado na transparência.
Para alguns, o prazer está na quebra simbólica de padrões de posse; para outros, na excitação psicológica da situação.
Fagner Figueiredo, soteropolitano adepto do fetiche e que se define como “o maior corno do Brasil”, brinca que a data é de comemoração em dose dupla.
Hoje estou completando 36 anos e, além do meu aniversário, é o Dia do Corno. Costumo dizer que já nasci predestinado, diverte-se
Casado há 8 anos com a criadora de conteúdo Krissia Figueiredo, Fagner conta que, com apenas seis meses de namoro, revelou o desejo de ser traído. “Eu lia muitos contos eróticos com tema de traição e foi me despertando essa vontade”, diz.
Com seis meses de namoro, eu fiz a proposta para ela, falei que eu tinha vontade de ver ela com outros homens.
Fagner lembra que, a namorada não reagiu bem. “Ela achou super estranho, falou que eu não a amava mais, que era um teste para ver se ela ia me trair mesmo e mil e uma coisas. Mas no final eu consegui despertar o interesse nela”.
O início
Antes do cuckold, veio o exibicionismo. “Eu sempre gostei de exibi-la, de ver ela usando roupas transparentes e decotadas”, relembra Fagner. A primeira experiência real aconteceu durante uma viagem.
“Ela começou a conversar com caras por aplicativo e conheceu um rapaz da faculdade. Acabou rolando deles irem para um motel. Na época, ele não sabia que eu sabia, então ficou como se fosse realmente uma traição. Ela voltou para casa e me contou tudo nos mínimos detalhes enquanto estávamos na cama. Como a experiência foi boa, passamos a repetir”.
E como funciona a vida do corno?
Qualquer dinâmica de casal tem suas regras e no cuckold não é diferente. Fagner explica que a escolha dos parceiros é de Kriss e ela divide o processo com ele. “Ela quem escolhe e conversa com os caras, seja por aplicativo de mensagem, pelo Instagram. Quando ela escolhe alguém para sair, ela só me comunica. Fala: ‘Ó, amor, gostei desse desse cara aqui’, e me mostra foto e as conversas".
Ela decide se eu vou assistir, participar ou se fico em casa aguardando. Se eu fico, ela manda fotos e vídeos em tempo real. Quando chega, me conta os detalhes durante o nosso sexo, relata.
Haters
O casal lida com críticas frequentes sobre o estilo de vida que escolheu, sobretudo por conta da publicidade que dão ao fetiche nas redes sociais. Mas Fagner garante que já aprenderam a lidar e não se deixam abalar pelo que os outros pensam e, inclusive, aproveitam o engajamento involuntário que os críticos causam. “Como a gente trabalha com rede social, as críticas acabam virando engajamento e a gente gosta. Queremos que o povo fale, mas fale da gente”, brinca.
As pessoas se doem por mim. Falam: ‘como pode o cara gostar de ver a mulher com outro?’. O problema é meu, vocês estão se doendo por algo que não é com vocês, rebate Fagner.
Para o soteropolitano, o preconceito esconde uma hipocrisia social. “A sociedade acha que o certo é a traição escondida, a pessoa pular a cerca e o parceiro não saber. Errado é o nosso caso, onde o casal está em comum acordo. Dialogamos, é algo que queremos viver”, critica.