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Soldado usou informação confidencial para apostar na queda de Maduro, dizem EUA

Soldado usou informação confidencial para apostar na queda de Maduro, dizem EUA

24/04/2026 às 18h33
Por: Redação Fonte: The New York Times
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Soldado usou informação confidencial para apostar na queda de Maduro, dizem EUA

Soldado usou informação confidencial para apostar na queda de Maduro, dizem EUA.

 

Promotores federais dizem que o sargento Gannon Ken Van Dyke, que participou da operação para tirar Nicolás Maduro do poder na Venezuela, usou essas informações para fazer apostas em um mercado de previsões.

Um soldado das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos que ajudou a capturar Nicolás Maduro, da Venezuela, foi acusado de usar informação confidencial para apostar na missão na Polymarket, uma plataforma de previsões, informaram autoridades federais na quinta-feira (24).

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O militar, subtenente Gannon Ken Van Dyke, lotado em Fort Bragg, na Carolina do Norte, lucrou mais de US$ 400 mil apostando em diferentes desfechos relacionados à Venezuela depois de tomar conhecimento da operação, segundo promotores federais e o FBI.

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A denúncia apresentada no tribunal federal de Manhattan afirma que Van Dyke, de 38 anos, participou do “planejamento e execução” da captura de Maduro e vinha fazendo apostas até 2 de janeiro, um dia antes da prisão do líder venezuelano e de sua mulher, Cilia Flores, em um complexo em Caracas.

De acordo com a acusação e com Jay Clayton, procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, o sargento fez 13 apostas em eventos relacionados a Maduro e à Venezuela, incluindo “apostas sobre o momento e o resultado” da operação para remover Maduro do poder.

A denúncia representa um dos casos de maior destaque envolvendo um funcionário do governo americano que teria usado informação confidencial para ganhar dinheiro em mercados de previsão — um risco à segurança nacional que levou a Casa Branca a alertar seu corpo funcional para evitar esse tipo de “insider trading”. O alerta veio em meio a um aumento de operações suspeitas relacionadas à guerra com o Irã.

Empresas que operam mercados de previsão vêm enfrentando maior escrutínio nos últimos meses. Senado e Câmara dos Deputados dos EUA analisam projetos de lei para limitar o uso de um desses sites, o Kalshi, por autoridades públicas, e estados também estudam regulações mais rigorosas.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, declarou: “Nossos homens e mulheres de farda recebem acesso a informações confidenciais para cumprir suas missões com a máxima segurança e eficiência possível, e lhes é proibido usar esse tipo de informação altamente sensível para ganho financeiro pessoal.”

Questionado na quinta-feira sobre o uso de mercados de previsões por funcionários do governo, o presidente Donald Trump afirmou: “Infelizmente, o mundo inteiro virou, em certa medida, um grande cassino.”

Ele acrescentou: “Nunca fui muito a favor disso. Não gosto conceitualmente. É o que é. Não fico feliz com nada disso.”

Em comunicado na quinta-feira, a Polymarket disse ter publicado novas regras no mês passado para apertar o cerco ao uso de informação privilegiada. A plataforma afirmou ainda que, sempre que identifica um usuário operando com base em informação confidencial do governo, encaminha o caso ao Departamento de Justiça e coopera com as investigações.

Horas antes de as tropas americanas capturarem Maduro, em 3 de janeiro, foi noticiado que um usuário da Polymarket havia feito uma aposta de US$ 32 mil de que Maduro estaria fora do poder até o fim de janeiro — operação que rendeu mais de US$ 400 mil em lucros. O comunicado da Polymarket e os valores descritos na denúncia sugerem que as acusações anunciadas na quinta-feira estão relacionadas a essa aposta.

Segundo a acusação, o sargento tentou esconder o dinheiro obtido movendo os recursos várias vezes: primeiro para um cofre de criptomoedas no exterior, depois para uma conta pessoal de criptoativos e, por fim, para uma conta recém-aberta em uma corretora. Depois que começaram a circular notícias sobre negociações suspeitas ligadas à captura de Maduro, Van Dyke tentou apagar sua conta na Polymarket, alegando falsamente que havia perdido o acesso ao e-mail associado ao cadastro.

A denúncia acusa Van Dyke de cinco crimes: uso ilegal de informação confidencial do governo para ganho pessoal; furto de informação não pública do governo; fraude em commodities; fraude eletrônica (wire fraud); e realização de transação financeira com recursos provenientes de atividade ilegal específica.

Ainda na quinta-feira, Van Dyke deveria ser apresentado a um juiz federal na Carolina do Norte, no Distrito Leste, e a expectativa é que ele seja transferido para Manhattan para responder ao processo, informou o gabinete do procurador federal em Nova York. Não foi possível identificar um advogado do sargento para comentar o caso.

De acordo com a denúncia, Van Dyke é militar da ativa desde cerca de 2008. Desde 2023, ele ocupa o posto de subtenente nas Forças Especiais do Exército dos EUA. Dez anos após entrar para o Exército, ele recebeu acesso especial a informações confidenciais, assinando um compromisso formal em que prometia jamais divulgar o conteúdo desses dados. No ano passado, firmou um acordo semelhante, ligado a operações militares no Hemisfério Ocidental.

No fim do ano passado, a Polymarket passou a permitir que usuários apostassem em determinados eventos envolvendo a Venezuela e Maduro, segundo a acusação.

Em setembro, a plataforma ofereceu um contrato que permitia apostar na possibilidade de haver “forças dos EUA na Venezuela” até certas datas. Em novembro, as apostas incluíam a chance de Maduro estar “fora” ou removido do poder até uma série de prazos. Em meados de dezembro, foi lançado um mercado sobre a possibilidade de uma invasão dos EUA à Venezuela até 31 de janeiro.

Na noite de 2 de janeiro, véspera da captura de Maduro, Van Dyke gastou milhares de dólares comprando ações de “sim” (“yes shares”) em mercados que apostavam em “Maduro fora” até 31 de janeiro e em “forças dos EUA na Venezuela” até a mesma data.

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