Projeto Terafab prevê duas plantas no Texas, mas custo, prazo e operação ainda são incertos.
Elon Musk, presidente da montadora de carros elétricos Tesla, afirmou na quarta-feira (23) que a companhia planeja usar o processo de fabricação 14A da Intel para produzir chips do projeto Terafab, um complexo avançado de semicondutores de inteligência artificial que será instalado no estado do Texas, nos Estados Unidos.
A empresa de foguetes SpaceX, também de Musk, a unidade de IA xAI e a própria Tesla vão construir duas fábricas de chips avançados em um grande complexo em Austin: uma voltada ao uso em veículos da Tesla e nos robôs humanoides Optimus, e outra dedicada a data centers em órbita da Terra.
“Ou construímos o Terafab ou não teremos os chips”, disse Musk em uma apresentação em Austin, em março, acrescentando que a produção global atual de microprocessadores atende apenas a uma fração das necessidades futuras de suas empresas.
Musk afirmou ser grato aos atuais fornecedores — citando Samsung, TSMC e Micron —, mas disse acreditar que a demanda combinada de suas companhias acabará superando a capacidade total de produção dessas fabricantes. O bilionário, porém, não deu um cronograma para o projeto e tem histórico de anúncios altamente ambiciosos, muitos deles com atrasos.
A Intel anunciou neste mês que se juntará ao projeto, levando ao empreendimento sua experiência consolidada em fabricação de chips.
Musk disse que o Terafab cuidará de todas as etapas da produção de chips, incluindo o design.
Na teleconferência de resultados da Tesla na quarta-feira, ele afirmou que os detalhes da implantação do Terafab ainda estão sendo definidos. No curto prazo, a Tesla construirá uma fábrica de pesquisa em seu campus Giga Texas, na região de Austin. A expectativa é que a iniciativa custe cerca de US$ 3 bilhões e “seja capaz de produzir talvez alguns milhares de wafers de chips por mês, mas a intenção é realmente testar ideias”, disse Musk.
“O que descobrimos até agora é que a Tesla fará a fábrica de pesquisa, a SpaceX fará a parte inicial da Terafab em larga escala. E depois temos que descobrir o resto”, afirmou.
Segundo Musk, o Terafab deverá produzir o equivalente a 1 terawatt de capacidade de computação por ano, em comparação com cerca de meio terawatt produzido atualmente nos Estados Unidos. Construir capacidade suficiente para 1 terawatt anual custará entre US$ 5 trilhões e US$ 13 trilhões, de acordo com estimativas da Bernstein.
A Tesla planeja usar o processo de fabricação 14A da Intel para produzir chips no projeto Terafab. O contrato representa o primeiro grande cliente da Intel para essa tecnologia, um avanço para a fabricante norte-americana, que vem lutando para consolidar seu negócio de foundry (fabricação por contrato) e competir com a taiwanesa TSMC.
Musk disse acreditar que, quando o Terafab estiver em expansão, o processo 14A da Intel “provavelmente estará bastante maduro ou pronto para o horário nobre” e “parece ser a decisão certa”.
Segundo a Bloomberg, a equipe de Musk entrou em contato com diversos fornecedores da cadeia de semicondutores, incluindo Applied Materials, Tokyo Electron, Lam Research e Samsung, para o projeto Terafab. O grupo buscou cotações de preços e prazos de entrega para uma ampla gama de equipamentos de fabricação, além de ter contatado, nas últimas semanas, fabricantes de fotomáscaras, substratos, equipamentos de deposição, limpeza, teste e outras ferramentas.
A Reuters informou que a SpaceX planeja fabricar seus próprios chips gráficos (GPUs), componentes centrais para treinar modelos de IA.
Embora Musk tenha dito que o Terafab terá como alvo chips para carros, robôs humanoides e data centers espaciais, diversos pontos permanecem em aberto, como: